(bem, aqui iria a tira sobre o pinto desanimado, mas neste momento estou um pouco longe de minha mesa de desenho... uns 700 km.)O Trauma do incrível homem sem libido.Em “Os amantes de Maria”, um filme do ano 1984, a Nastassja Kinski faz de Maria, uma belíssima mulher rejeitada sexualmente pelo marido.
O marido broxa em questão, vai para guerra ainda sendo noivo dela. Apaixonadíssimo, a idealiza ao extremo de apaziguar as suas dores de guerra –torturas, humilhações... Ratos! -apenas com sua doce lembrança. Quando ele volta absolutamente traumatizado, se casa com Maria. E em sua noite de núpcias, quando finalmente vai consumar todo o seu amor aguardado tão sofridamente... Ele broxa!!
(Freud explica: como lembrava da Maria nos piores momentos da sua vida, ele começou a relacioná-la com os piores momentos da sua vida. Então por mais que fosse a Nastassja Kinski nua (!) na cama (!!) de pernas abertas (!!!) esperando por ele (!!!!) ele –coitado- não enxergava mais que um enorme Rato. Ou no melhor dos casos, um coreano rechonchudo espetando bambu embaixo de suas unhas)
O fato é que depois disso, o pobre coitado não consegue mais “elevar” sua “auto-estima”. Nunca mais com a Maria, mas sim com O
utras. E passado um ano, a pobre coitada da Maria ainda virgem, acaba se
entregando (que delícia esta palavra de folhetim) ao primeiro forasteiro gostosão que passa pelo seu caminho.
Apresento esse filme como “prova A” em minha defesa, honoráveis membros do júri
(me desculpo também pelos possiveis erros de minha memória na sinopse, pois assisti a esse filme a mais de 20 anos e é provável que os ratos sejam só fruto de minha mórbida imaginação).
Agora me explico.
Nem eu era virgem. Nem ele tinha ido a nenhuma guerra.
E o único coreano de nossas vidas era o dono do mercadinho da esquina. Mas ele não espetava bambu debaixo das unhas, nem enfiava ratos abaixo da goela de ninguém –só mastigava chiclete com a boca aberta... Uma verdadeira tortura também!!
E é claro que eu estava mais para o Rato da história do que pra Nastassja Kinski.
Sim, calma Senhor Juiz, onde eu quero chegar é no trauma. Senhores e Senhores
MEMBROS.
O T-R-A-U-M-A. Do Membro.
Já disse antes que o
Amigo nº 1 (assim chamaremos o primeiro grande amor de minha vida, amigo do segundo grande amor de minha vida a quem chamaremos de
Amigo nº 2) não me atraia em absoluto. Ele era inteligente, sensível, simpático e interessante.
Mas, digamos que, não fazia meu tipo.
Não, eu não sou fresca. Mas eu tenho um tipo de homem que me atrai cegamente.
Um padrão. O Al Pacino.
Espere senhor juiz, não me mande ainda pra ala psiquiátrica. Deixe-me explicar.
O tipo “Al Pacino de ser”. Aquele vozarrão, aquela atitude de machão-mafioso que, mesmo tendo menos de um metro e setenta, faz tremer as paredes por onde passa... Os gestos fortes, a personalidade forte, é isso que me atrai num homem.
E o
Amigo nº 1 carecia absolutamente de toda essa virilidade. Ele era mais do tipo... Adam Sandler... Talvez, com tal extrema comparação, o júri possa compreender porque o apaixonado
Amigo nº1, teve que me cortejar e suplicar durante árduos 4 meses!!! ( senhores, eu, uma mulher tão fácil! Que
se acaso me quiseres, sou dessas mulheres que só dizem sim...quando me interessa, é claro, senhoras!) Enquanto secretamente, eu nutria um irresistível desejo pelo
Amigo nº 2, ele sim, um verdadeiro Al Pacino na vida –
mas isso vem depois.
Voltemos ao Trauma. O TRAUMA!!!!
Bem, de muita má vontade aceitei namorar com ele, como quem faz um grande sacrifício, em nome da cristã compaixão. E depois de um lamentável e insípido primeiro beijo, eu, Mãe Teresa, aceitei transar com ele, como quem faz um ato de caridade.
Freud explica:
Como podem imaginar, criativos membros do júri, Adam Sandler e Mãe Teresa juntos na mesma cama é algo inimaginável -ou para os engraçadinhos que conceberam essa imagem em suas pervertidas mentes, convenhamos que está longe de ser um retrato sensual.
O desastre que eu antecipara se tornou um fato. Sem a menor química, suor ou qualquer outro tipo de umidade, dois corpos nus tentaram se debater inutilmente em uma insípida, ríspida e seca derrota.
E naquele clima, mistura de desagrado, compaixão e principalmente absoluto constrangimento, era previsível que ele broxara.
E na segunda tentativa. E na terceira. E assim sucessivamente. Durante os próximos dois anos de nossas vidas.
O trauma senhoras!!! O Trauma!!!!
E por fim eu já tinha meu amor idealizado de filme, minhas primeiras experiências realmente literárias. Imaginem que romântico, sacrificar meu corpo, meus impetuosos e jovens instintos, minha fúria carnal, pelo singelo e frágil amor – trocar um suculento e gordo bife por uma trêmula folhinha de alface. Quem nunca quis amar assim? Dessa forma tão frustrante, masoquista e destrutiva? Quem se resistiria a tal extraordinária relação?? Quem???!!!
Voltamos a
“prova A”.Depois,
sim, ele iria conseguir “elevar” sua “auto-estima” com O
utras.
E,
não, eu não me
entregaria ao primeiro forasteiro gostosão que passasse pela minha frente -infelizemente. Apenas enlouqueci um pouco durante alguns meses.
E acabaria sobrando para o
Amigo nº 2. Seu melhor amigo.
Mas nessa tragédia, humanos membros do júri, eu fui apenas uma vítima. Não a criminosa.
Juro.
To be continued