BlogBlogs.Com.Br

Terça-feira, Agosto 05, 2008

Como utilizar psicologia infantil perante um suicídio

Como se explica um suicídio para uma criança?
(principalmente se depois de que a última imagem que ela teve de você, foi a de um corpo inerte sendo arrastado até o pronto-socorro no meio da noite)
Bem, essas coisas de tentar morrer e não conseguir tem lá seus constrangimentos e burocracias.
Muitas.
A primeira é enfrentar o público. De acordo a idade é realmente difícil.
Oh, sim. Explicar um suicídio pra alguém de sete anos é tão constrangedor como explicar o sexo ou o divórcio. Em todo o caso o jeito é tentar ser didático e encarar o assunto da forma mais natural possível.
“- Sabe quando você briga com seu amiguinho e não ganha aquele brinquedo que você tanto queria de aniversário e a mamãe fica brava com você e você fica muito, muito triste...(e então parece que a vida carece de esperança, razão ou sentido)
Bem, os adultos também às vezes ficamos muito, muito tristes e sentimos vontade de estourar os miolos, ou de nos enforcar, mas como não temos coragem (porque os adultos também sentimos um pouquinho de medo ás vezes) então comemos tooooooooooooodos os remédios da tia pra ver se a gente se cura.”

“- E se você ficar muito, muito triste de novo, tia?
- Ah, então a tia vai pro hospital (que, aliás, é de onde a tia acaba de sair) onde ficam as pessoas que ficam muito, muito tristes e também as pessoas que ás vezes ficam muito, muito furiosas. Ou as pessoas que gostam de falar com gente que só eles conseguem ver (igual como quando você fala com seu amiguinho, o Spooky).
E também as pessoas que gostam de... beber ou comer certas coisas que parecem doces pra ficar muito, muito alegres e felizes!”

Sorrir como se tudo estivesse bem é imprescindível.

(para a Camila, minha heroína de 10 anos)

Segunda-feira, Agosto 04, 2008

De como nossa triste, patética, absurda, porém valente heroína foi parar num HOSPÍCIO

Amiguitos!!!
Nossa enviada especial esteve em um Hospital Psiquiátrico.
Desde Arkham, Moda, Tendências, Comportamento, Fofocas, Paqueras... Tudo o que você sempre quis saber sobre a loucura mas tinha medo de se contagiar.

A seguir, em nosso alegremente deprimente espaço!!!

Marcadores: , , , , , , , , ,

Domingo, Agosto 19, 2007

Toda e nada mais que a verdade about the book (PARTE III)

Ode ao pinto murcho

Reconheço solenemente, compassivos membros do júri, que sinto uma enorme empatia pelos pintos murchos.
Talvez porque sempre senti uma enorme empatia pelos perdedores. E há algo tão tenramente perdedor em um pinto murcho... Algo que me comove profundamente.
Um pênis em repouso é como um desprotegido animalzinho, um filhotinho quase assustado; um bebê que balbucia suas primeiras palavras e sorri sem dentes, inocentemente. É aquele ser pequenino e frágil, escondidinho embaixo de todas aquelas pregas de pele, pronto para desabrochar em qualquer momento. Como um doce velhinho que de repente se transforma em vigoroso e soberbo jovem.

Aliás, acho que usar a demominação PÊNIS é um tanto formal, para o assunto ao qual me estou referindo -ou seja, a impotência sexual. O PÊNIS é ereto, forte, coisa séria... um herói durão e agressivo... Um Bruce Willis em ação! Já o PINTO é aquela coisinha de casa mesmo, de chinelinho, encolhidinho assitindo televisão... tão fofinho ele... um Homer Simpson na vida.

Vejam bem, Senhor Juiz, que conste em actas, não tenho nada contra uma bela ereção, mas há algo irritantemente arrogante em um membro ereto. Bem ereto, em reverência, fazendo aquela curva como sargento em continência estufando o peito, cheio de orgulho.
Lembra-me a um baixinho careca. Os baixinhos quase sempre são um tanto arrogantes, prepotentes, se inflam como para parecerem maiores do que são.
Já um pinto murcho é mais amável, bonachão. Mais sincero. Não está tentando demonstrar nada pra ninguém. Apenas está em seu estado natural, livre.

Lembro de uma Graphic Novel que li uma vez do Frank Miller, "Ronin". Havia uma parte, no começo -que é justamente quando o herói é atacado desprevenido- que dizia que não há momento no qual um homem esteja tão indefeso como depois de fazer amor. Nesse momento onde ele quase se transforma em uma criança... -menos aqueles filhos da puta que depois de ejacular, se levantam de um salto, vestindo-se como quebrando algum record e somem... – mas não fujamos a poesia a qual o Sr. Miller se referia. O pinto murcho.

Uma ereção.
O que é uma ereção se não uns quantos mililitros de fluxo sanguíneo que preenchem os tais dos corpos cavernosos? Uma maravilha da engenharia anatômica; um passe de mágica; um pequeno milagre (bem, às vezes não tão pequeno).
Não, ruborizadas senhoras e senhoras do júri.
Uma ereção representa algo mais do que um interessantíssimo fenômeno fisiológico ou sexual. Representa a frágil dignidade de um ser humano. A sua identificação sexual como homem (hetero, homo, bi, tri, extra), a sua auto-afirmação perante a sociedade.

Imaginem um leão careca. Um garanhão castrado. Um galo sem cresta!!!! (eu já tive um e, caro jurado, a pobre ave confundida, começou a se juntar aos patos do curral).
O verdadeiro poder de um homem reside naquele altivo pedaço de carne que se levanta orgulhoso e desafiante, consciente (mesmo que ingenuamente) de seu próprio poder.

Pois então, como podem imaginar, um homem impotente perde o sentido básico de poder, identidade ou cordura. E nesse abismo, leva junto com ele a quem o acompanha. Sua mulher.

Este parêntesis foi aberto em minha defesa, apenas para tentar descrever aos pacientes membros do júri, o meu incondicional e compreensivo amor por ele. E de como ele me traiu dentro da nossa horrorosa, doente, mas solidária relação.

To be cotinued

Segunda-feira, Agosto 06, 2007

Toda e nada mais que a verdade about the book (PARTE II)

(bem, aqui iria a tira sobre o pinto desanimado, mas neste momento estou um pouco longe de minha mesa de desenho... uns 700 km.)

O Trauma do incrível homem sem libido.
Em “Os amantes de Maria”, um filme do ano 1984, a Nastassja Kinski faz de Maria, uma belíssima mulher rejeitada sexualmente pelo marido.
O marido broxa em questão, vai para guerra ainda sendo noivo dela. Apaixonadíssimo, a idealiza ao extremo de apaziguar as suas dores de guerra –torturas, humilhações... Ratos! -apenas com sua doce lembrança. Quando ele volta absolutamente traumatizado, se casa com Maria. E em sua noite de núpcias, quando finalmente vai consumar todo o seu amor aguardado tão sofridamente... Ele broxa!!
(Freud explica: como lembrava da Maria nos piores momentos da sua vida, ele começou a relacioná-la com os piores momentos da sua vida. Então por mais que fosse a Nastassja Kinski nua (!) na cama (!!) de pernas abertas (!!!) esperando por ele (!!!!) ele –coitado- não enxergava mais que um enorme Rato. Ou no melhor dos casos, um coreano rechonchudo espetando bambu embaixo de suas unhas)
O fato é que depois disso, o pobre coitado não consegue mais “elevar” sua “auto-estima”. Nunca mais com a Maria, mas sim com Outras. E passado um ano, a pobre coitada da Maria ainda virgem, acaba se entregando (que delícia esta palavra de folhetim) ao primeiro forasteiro gostosão que passa pelo seu caminho.

Apresento esse filme como “prova A” em minha defesa, honoráveis membros do júri (me desculpo também pelos possiveis erros de minha memória na sinopse, pois assisti a esse filme a mais de 20 anos e é provável que os ratos sejam só fruto de minha mórbida imaginação).
Agora me explico.
Nem eu era virgem. Nem ele tinha ido a nenhuma guerra.
E o único coreano de nossas vidas era o dono do mercadinho da esquina. Mas ele não espetava bambu debaixo das unhas, nem enfiava ratos abaixo da goela de ninguém –só mastigava chiclete com a boca aberta... Uma verdadeira tortura também!!
E é claro que eu estava mais para o Rato da história do que pra Nastassja Kinski.
Sim, calma Senhor Juiz, onde eu quero chegar é no trauma. Senhores e Senhores MEMBROS.
O T-R-A-U-M-A. Do Membro.
Já disse antes que o Amigo nº 1 (assim chamaremos o primeiro grande amor de minha vida, amigo do segundo grande amor de minha vida a quem chamaremos de Amigo nº 2) não me atraia em absoluto. Ele era inteligente, sensível, simpático e interessante.
Mas, digamos que, não fazia meu tipo.
Não, eu não sou fresca. Mas eu tenho um tipo de homem que me atrai cegamente.
Um padrão. O Al Pacino.
Espere senhor juiz, não me mande ainda pra ala psiquiátrica. Deixe-me explicar.
O tipo “Al Pacino de ser”. Aquele vozarrão, aquela atitude de machão-mafioso que, mesmo tendo menos de um metro e setenta, faz tremer as paredes por onde passa... Os gestos fortes, a personalidade forte, é isso que me atrai num homem.
E o Amigo nº 1 carecia absolutamente de toda essa virilidade. Ele era mais do tipo... Adam Sandler... Talvez, com tal extrema comparação, o júri possa compreender porque o apaixonado Amigo nº1, teve que me cortejar e suplicar durante árduos 4 meses!!! ( senhores, eu, uma mulher tão fácil! Que se acaso me quiseres, sou dessas mulheres que só dizem sim...quando me interessa, é claro, senhoras!) Enquanto secretamente, eu nutria um irresistível desejo pelo Amigo nº 2, ele sim, um verdadeiro Al Pacino na vida –mas isso vem depois.
Voltemos ao Trauma. O TRAUMA!!!!
Bem, de muita má vontade aceitei namorar com ele, como quem faz um grande sacrifício, em nome da cristã compaixão. E depois de um lamentável e insípido primeiro beijo, eu, Mãe Teresa, aceitei transar com ele, como quem faz um ato de caridade.

Freud explica:
Como podem imaginar, criativos membros do júri, Adam Sandler e Mãe Teresa juntos na mesma cama é algo inimaginável -ou para os engraçadinhos que conceberam essa imagem em suas pervertidas mentes, convenhamos que está longe de ser um retrato sensual.
O desastre que eu antecipara se tornou um fato. Sem a menor química, suor ou qualquer outro tipo de umidade, dois corpos nus tentaram se debater inutilmente em uma insípida, ríspida e seca derrota.
E naquele clima, mistura de desagrado, compaixão e principalmente absoluto constrangimento, era previsível que ele broxara.

E na segunda tentativa. E na terceira. E assim sucessivamente. Durante os próximos dois anos de nossas vidas.
O trauma senhoras!!! O Trauma!!!!


E por fim eu já tinha meu amor idealizado de filme, minhas primeiras experiências realmente literárias. Imaginem que romântico, sacrificar meu corpo, meus impetuosos e jovens instintos, minha fúria carnal, pelo singelo e frágil amor – trocar um suculento e gordo bife por uma trêmula folhinha de alface. Quem nunca quis amar assim? Dessa forma tão frustrante, masoquista e destrutiva? Quem se resistiria a tal extraordinária relação?? Quem???!!!
Voltamos a “prova A”.

Depois, sim, ele iria conseguir “elevar” sua “auto-estima” com Outras.

E, não, eu não me entregaria ao primeiro forasteiro gostosão que passasse pela minha frente -infelizemente. Apenas enlouqueci um pouco durante alguns meses.
E acabaria sobrando para o Amigo nº 2. Seu melhor amigo.
Mas nessa tragédia, humanos membros do júri, eu fui apenas uma vítima. Não a criminosa.
Juro.
To be continued

Quinta-feira, Agosto 02, 2007

Toda e nada mais que a verdade about the book (PARTE I )

O incrível homem sem líbido (e isto e tudo que posso resumir sobre todos os homens sem líbido que conheci)
E tudo começou quando saí com ele porque fiquei com pena. (veja o "Top five dos piores econtros")
Senhoras e Senhores Membros do Júri, o único que posso dizer a meu favor é que tudo o que fiz foi por amor.
Por amor me “casei” duas vezes com o homem errado - alíás eram amigos. Ou pensei que ia me casar. Ou pensei que me havia casado.
E tudo começou por pena. Um sentimento tão nobre como a compaixão por outro ser humano que sofre. E não tiremos a culpa da sociedade, pois aquela maldita“pressão de grupo” também me empurrou a aquele maldito destino... "- Ah, sai com ele, tadinho..." (minhas próprias e traidoras amigas!!!!)
Mas depois senhoras e senhores, admito que me apaixonei!!! Perdidamente e por primeira vez por aquele tímido e sensível poeta!!! (Bem, primeira vez, de verdade, de adulta).
Não pude evitar.
Apesar de haver começado aquela relação com absoluto cepticismo (já que o moço em questão não me atraia em absoluto), ele me conquistou covardemente usando as armas mais baixas e letais. Tais como poemas que comparavam as pintas de minhas costas às “areias manchadas de Lua” (sim, senhorAs e senhorAs... “manchadas de Lua”! seja lá o que for que ele quis dizer com isso); livros de Julio Cortázar e até serenatas embriagadas embaixo de minha janela!!!
E até tínhamos uma canção. Nossa canção!!! Como poderia resistir-me a “At Last” cantado por B.B.e Diane Shure. Como?! Eu!!!! Eu que nunca tinha tido uma canção com ninguém antes!!!
É claro que “Thriller” me traz lembranças sinistramente românticas do Luis (era o ano de 1984) meu falecido grande amor infantil... E é certo que depois tive uma discoteca inteira... Mas... nada comparado a “At Last”!!!!
At last, my love has come along,
My lonely days are over,
And life is like a song
(Aliás, nunca mais escutei aquela versão em dueto ... as vezes escuto a do Ray Charles e ainda choro)
Bem, mas voltando ao assunto, aos tenros 21 anos, nobres membros do júri, o amor pra mim desabrochou como a mais pura e límpida e perfeita rosa.
Nosso o amor era tão PURO e ideal, tão imaculado e inocente que...virou platônico! Ou seja, casto... Virginal.
Alimentávamos-nos apenas de amor, e quase nem precisávamos sujar nosso amor com questões carnais... Como sexo por exemplo.
Porque o nosso amor era tão divino que essas questões mortais, como Sexo por exemplo, não seriam dignas de tal sagrado amor.
Porque o AMOR -Ah, o nosso poético amor!!- se nutria dos mais sublimes e transcendentais alimentos, como a música, a arte e a literatura e não precisava de alimentos terrenais.... Como SEXO, por exemplo!!!!!!
E assim vivemos juntos dois anos.
Eu subindo pelas paredes e ele... bem... ele, o incrível homem sem líbido.
E assim, senhoras e senhores, começa a história de uma série de absurdos fatos que tiveram como produto final o febril delírio quase verídico que intitulei “COMO SOBREVIVER SEM ELE”.
TO BE CONTINUED....

Sexta-feira, Julho 27, 2007

PAUSA PARA OS COMERCIAIS...

GENTE a todos devo uma visita virtual!!! Desculpem minha falta de cortesia... é que entre os homens, a bebida, minha coleção de cachorrinhos poodles e meus poropios delírios, não sobra muito tempo para navegar.
PARA OS QUE AINDA APOSTAM, NO PRÓXIMO POST EXPLICAREI PORQUE ESSE LIVRO DE MERDA É UMA MALDIÇÃO NA MINHA VIDA DA QUAL EU QUERIA ME EXORCIZAR A TODA CUSTA
(além da tirinha sobre "O incrível homem sem líbido"... hum, combina com "A Incrível mulher frígida"...)

Domingo, Julho 22, 2007

O anão, a princesa e a empregada.

(Gostei do título, parece nome de filme sueco) (estas tiras foram recicladas de meu baú para um projeto maluco que temos com a Mago Pool de editar um livro de humor com estrogênio)
O outro dia vi um horroroso curta-metragem sobre um cara que tinha pesadelos apocalípticos. E quem aparecia dando gargalhadas com cara de malvado?... Quem?
Um anão.
Por que sempre colocam anões em pesadelos??!! Desde Twin Peaks vejo esse clichê. Deve ser para dar esse ar de surrealismo que supostamente tem um sonho.
Eu nunca tive pesadelos com anões... Nunca sequer sonhei com um. Porque surreal é aquilo que foge a nossa realidade, aquilo que não estamos acostumados a ver. Portanto suponho que por isso não sonho com anões (às vezes sonho que transo com o Johnny Deep... e que, ainda por cima, ele me ama... isso sim é surreal!!!).

Minha vida esteve recheada deles. Aliás, eu mesma, dotada apenas de metro e meio, não fujo dessa condição anã, ficando em ponta de pé em orelhões públicos ou tendo problemas para me segurar em ônibus, pois não alcanço aquelas malditas barras de ferro.
O Cebolinha era um anão doidão, acabadaço. Era comum vê-lo ás sextas completamente bêbado, cheirando cocaína em qualquer boteco de quarta categoria. E depois aos sábados de manhã vestido de pirata fazendo um programa de TV infantil, também de quarta categoria, ao lado de uma loira tingida, imitação latina-pobre da Xuxa- essa sim, personagem surrealista.
Depois também tinha um beco pelo qual eu passava todos os dias quando ia trabalhar que era a verdadeira Lilliput. Nessa incrível ruazinha, viviam muitos anões, de varias idades e ambos sexos Não sei se seriam uma família, agência ou sindicato, mas contei pelo menos uns oito anões diferentes. Nunca tive coragem de descer do ônibus para comprovar se era uma alucinação.
Teve também o anão pelo qual me apaixonei, o livro “O anão” do Pär Lagerkvist, uma pequena jóia sobre um bobo da corte do final da Idade Media. Um anão que nunca sorri, mas que é obrigado a fazer rir a toda uma corte de frívolos idiotas que odeia. Um personagem ambíguo, denso, complexo como poucos, desses que só um grande escritor pode construir.
Mas o Grande Anão da minha vida foi a Elizabeth, uma menina gorda, muito alta para sua idade, com a qual eu brincava na primeira série. Aliás, brincar é modo de dizer; eu me submetia á ela (como em todas minhas masoquistas relações). Ela e sua mãe –a megera fofoqueira do bairro- eram gigantes em altura, enormes, mas tinham a inacreditável cara de anão. O rosto do clássico anão de jardim, com as bochechas irritantemente rosadas, o nariz redondo e a testa desagradavelmente amassada, como se estivessem zangadas o tempo todo. Quando sorriam, se desenhava uma expressão sinistra, quase aterrorizante.
Não sei por que aceitava sua mimada, antipática e malcriada companhia de filha única. Talvez porque era a única que me convidava para ir à sua casa brincar de boneca. Mas com certas perversas condições, claro.
Só era aceita a brincadeira de título “A princesa e a empregada”. A minha Barbie era a mais bonita, portanto fruto de sua inveja e ressentimento, sempre protagonizava a Empregada, elevando Elizabeth a condição de Princesa-patroa-madrasta-malvada. Então ela ficava com a caminha rosa e o carrinho pink, e eu só tinha direito á vassourinha e as panelinhas de latão.
Esse conto de fadas não teve final feliz. Nunca apareceu um príncipe, ou fada que me livrasse de minha cinza condição de lacaio. Acho que deixei de ir a sua casa depois que me intoxiquei com um horrível bolo de fubá que a sua mãe me deu. Em vez de dormir por cem anos numa caixa de cristal, tive vômitos e diarréia durante dois dias.
E quando voltei á escola, a Elizabeth já tinha conseguido outro serviçal. Ou bobo da corte.
Me pergunto qual terá sido seu destino final de Princesa.
Aposto que ela e sua mãe ainda devem continuar enfeitando o jardim daquela casa surreal.

Sexta-feira, Julho 13, 2007

Se for sumir, me avise.

Por que os homens somem sem avisar?
Acho que esse é um costume patologicamente masculino.
- Te ligo!
E eu, a trouxa, espero. Pois, por trás desta depressiva e aparentemente negativa figura, existe uma otimista. Aliás, uma otimista febril, dessas que ficam até o final da festa –quando banda e garçons já estão meio bêbados e de gravatas borboletas desatadas- só para ver se algo interessante acontece.
Já sei que o tal de "Te ligo" é sinônimo de Adeus. Mas ainda acredito. É uma questão de fé. Irracional.
Talvez a maioria dos homens tenha traumas com as despedidas. Ou seja, eles não conseguem dizer “Olha, eu só queria transar com você esta noite e não quero mais te ver. Nunca mais. Adeus!” (Ou talvez seja alguma incapacidade patológica em dizer a verdade?)
Mas é claro que isso não é desculpa para alguém, numa noite maravilhosa, comportar-se como se fosse passar o resto da vida com você e na manhã seguinte dizer TE LIGO.
E SUMIR.
DA FA-CE-DA-TE-RRA.
Isso é perversidade. Até um ato criminal, se perpetuado em pessoas que sofrem de ansiedade como eu.

De todos os homens que sumiram da minha vida, o único que teve motivos reais foi o Luís. Aliás o primeiro espécime do sexo oposto pelo qual senti precoce mas autêntico tesão sexual, aos oito anos de idade.
O Luís era um menino de 11 anos, melhor amigo do meu irmão, pelo qual eu estava apaixonadíssima. Não vou dizer que foi o meu primeiro amor, porque como bem sabemos, mulheres vivem se apaixonando (graças a deus!). Antes disso já me havia apaixonado pelos gêmeos mulatinhos do pré; pelo loirinho Aníbal, na primeira série; pelo Satoshi que morava na frente e até pelo Elvis Presley -graças a Sessão da Tarde daquela época, que passava aquele monte de saudosas velharias (ainda escrevo um post sobre as profundas influências da Sessão da Tarde dos anos 80 na minha vida).
Lembro vagamente que ele parecia com o He Man, alto, o cabelo loiríssimo sobre os ombros... Do que eu não posso mesmo esquecer é daquela penugem dourada que lhe cobria o corpo bronzeado, coberto apenas por um short de jeans esfarrapado, correndo pelas ruas descalço embaixo do sol... (essa imagem me vem à mente como um sensual quadro Rococó).
Mas havia algo ainda mais especial nele. Era mágico.
Enfeitiçava-nos a todos com as estórias mais impressionantes sobre –própios!!!- contatos imediatos de 5to Grau* com extraterrestres.
(*Contato Imediato de Quinto Grau (CI-5): É o contato mais profundo entre o humanos e extraterrestres, trata-se do ingresso do observador no UFO, voluntariamente ou não. Quando for à força, está caracterizado um seqüestro, chamado na Ufologia de abdução.)
Além disso, não era o pai de qualquer um naquele bairro operário que trabalhava na NASA. Imaginem que honra era ser seu amigo e seguidor!!
Um dia ele me beijou. Não consigo recordar qual foi a brincadeira que o levou a tal inesperada ação. Ou se foi pura cafajestada mesmo. Mas até hoje lembro daquela sensação carnosa e salgada na minha boca. E daquele calor na barriga baixando pelo meu ventre.
Ato seguido, o muito cafajeste piscou. E ainda por cima sorriu.
E depois sumiu. Para sempre.
Como pode me elevar às alturas daquele jeito e depois simplesmente desaparecer, sem uma explicação, ao menos uma despedida? Foi tão ruim assim para ele?
Minha dor e indignação por seu desprezo foram tamanhas, que meu ego estraçalhado se negou a reparar nos eventos que se seguiram após seu sumiço. Meu irmão ficou estranho. Minha mãe chorava sem parar. Até no bairro havia um raro e pesado silêncio.
Por muito tempo achei que ele tivesse sido abduzido. E nunca voltou pra contar pra gente. Traidor.
Depois de uns quatro anos entendi que ele tinha sido atropelado. Morte instantânea numa rua de São Paulo.
E até consegui perdoa-lo.
E de todos os beijos que já dei em minha vida, aquele continua sendo insuperável. Carnoso e salgado.

Por isso eu sempre aviso no primeiro encontro... “Olha se você não quer mais me ver, vai logo dizendo...”
Ou vou pensar que foi atropelado.
Ou abduzido.

(Para o Luís, o melhor caçador de vaga-lumes que conheci na minha vida, onde quer que descanse sua alma de Peter Pan. )

Domingo, Julho 08, 2007

Como sobreviver sem ele- EPÍLOGO



Depois de tudo, você não o esqueceu.
Como poderia? Bem ou mal ele significou algo tão importante na sua vida; alguém que realmente lhe tocou profundamente. E deixará cicatrizes.
Aos poucos você aprenderá a conviver com sua ausência. E com sua memória.
Como um fantasma, ele a continuará rondando, se aparecendo nos momentos mais inesperados. Entrando em seus sonhos, silencioso. Se enfiando de mansinho na sua cama, em noites de insônia. Maquiado em cada defeito do seu novo parceiro. E talvez, para sempre, atormente suas lembranças, na saudade idealizada daquilo que não aconteceu.
Mas não se assuste. É só um fantasma. E os fantasmas, ao igual que os mortos, não podem ressuscitar -a menos, é claro, que ele realmente seja um zumbi.

Mas, fantasma, zumbi ou vampiro- qualquer que seja o tipo de assombração que você tenha por dentro- com o tempo irá descobrir que sim pode viver sem ele (a menos que seja parte da Família Adams).
Embora seja sacrificando anos de sua existência, de sua identidade, de seus sonhos e objetivos; apostando mil vezes no homem errado. Mesmo desiludida do amor; com o coração maltrapilho, propenso a infartos a cada vez que um homem se aproxima, você verá que poderá remendá-lo. E pese a seus traumas e às feridas que ainda conserva abertas, voltará a olhar a vida com esperanças e - por que não?- a se apaixonar outra vez!

Este manual cumpriu sua proposta, amável e paciente leitora/o. Pese a haver seguido passo a passo seus sólidos conselhos, você continua confundida e magoada. Não o esqueceu, não o recuperou, mas... Sobreviveu.
E se entre tanta tristeza surgiu, um que outro sorriso, então valeu a pena.
E o fizemos sem ele.

Do resto, o tempo vai se encarregar… Ou não –a final, quem diabos sou eu para sabê-lo.
*

Agradeço a paciência dos leitores, com dor de cotovelo ou não, que de alguma forma se uniram a este fracasso. Aos que enviaram e-mails também, obrigado.

E aos profissionais da saúde mental que gentilmente enviaram-me seus telefones... avisarei quando escolher algum.

NO PRÓXIMO POST, CONTINUAMOS COM NOSSA DEPRIMENTE PROGRAMAÇÃO HABITUAL.

Quinta-feira, Julho 05, 2007

Como sobreviver sem ele-Capitulo 4 (CAMINHO A ESQUECÊ-LO-final)

Para casos Graves de desilusão amorosa

Ele será o último homem da sua vida
Você acha que realmente não há remédio para sua dor de cotovelo; não consegue esquecê-lo. E tampouco quer. Acredita que ele foi e será o único homem da sua vida; a única pessoa a qual você amará pelo resto da sua existência. E que JAMAIS vai encontrar alguém que encha o vazio que ele deixou no seu coração. Então, nesta dramática situação, o aconselhável é virar freira.
Case-se com Deus, tranque-se num convento pelo resto de seus dias e conforme-se com viver uma vida casta, acompanhada unicamente de sua ingrata e saudosa lembrança.
Todos os homens são uma merda!
Depois desta grande desilusão amorosa que você sofreu, sua postura é extremista. Você começou a odiar aos homens como gênero e espécie. Ou seja, acha que TODOS os homens mentem, enganam, magoam e sabe que nunca mais poderá confiar nem acreditar em nenhum deles. Mas, não se resigna a uma vida solitária e sem amor. Então… Pule pro outro lado! Procure a mulher da sua vida. Existem milhares de mulheres sozinhas à espera de uma companhia. Quem sabe você não encontra sua alma gêmea em um bom par de pernas, bem melhores que as suas.

Domingo, Julho 01, 2007

Como sobreviver sem ele-Capitulo 4 (CAMINHO A ESQUECE-LO IV)

UM PREGO EMPURRA OUTRO
Se depois de tudo, você ainda tem a seu “ex” mais presente do que nunca, então é melhor tomar a saída de emergência (a mais desesperada). Tire esse prego enferrujado do seu coração – que já deve estar provocando tétano - enfiando outro no lugar. Obrigue-se a apaixonar-se de novo.
Troque esse velho amor por um novo, já que, mal acompanhada antes que só.

Procure urgentemente o amor no primeiro homem que passar pela sua frente. Desastrosos candidatos não vão lhe faltar. Pode ser aquele amigo que sempre esteve disponível, pelo qual você nunca sentiu a menor atração. Ou aquele ex-namoradinho, que você abandonou faz muuuuuuitos anos atrás, e que nunca te esqueceu. Ou um ilustre desconhecido que você conheceu pela internet, que não se importa em ser chamado pelo nome do seu ex.
Não importa quem seja a sua vítima; se desconhece o nome completo ou procedência dele; se não tem nada a ver com você ou não lhe interesse em absoluto. Lembre-se que ele será apenas um objeto, um peão insignificante em seu plano maquiavélico para esquecer a verdadeira peça chave da sua vida. Ou prego chave.

Não tenha preconceitos nesta desesperada busca: ex-presidiário, alcoólatra, jogador, psicótico, marginal ou mendigo… Pegue o que tenha à mão.
É importante também, em todas as vítimas, procurar algum parecido com o seu ex. Já seja no físico ou no intelecto; ou no jeito de se vestir; ou no dedão do pé. Ou alguma semelhança entre seus cachorros de estimação… O negócio é sempre tentar substituí-lo e encontrá-lo ao mesmo tempo.
Não tema, nos momentos mais saudosos e desesperados, casar-se mais de uma vez com o homem errado. Lembre-se que para isso sempre existirá (graças a Deus!) o bendito divorcio. Além disso, não são lindos os vestidos de noiva? Não são maravilhosos os casamentos?

Quarta-feira, Junho 27, 2007

Como sobreviver sem ele-Capitulo 4 (CAMINHO A ESQUECE-LO III)

LIBERE SUA SEXUALIDADE

É um processo de luxuriosa galinhagem pelo qual você deve passar inevitavelmente. Vamos tirando as teias de aranha, tirando o pó da estante, pois é hora de acabar com o auto-infligido celibato!
Uma terapia sexual fortalecerá sua auto-estima. Você deve voltar a se sentir cômoda com seu próprio corpo. Por tanto, redescubra-o. Não tenha vergonha do auto-prazer que descobrirá nas suas próprias mãos.


Experimente com todo tipo de artefatos elétricos (cuidado com a eletricidade) e com consoladores de todo tipo, tamanhos e cores.


Também prove com as frutas e verduras; bananas, pepinos, mandiocas... Mamões e melancias só para as mais experientes. E também com o Quitandeiro, por que não?

Pratique sexo virtual. A internet é um ótimo meio para encontrar sexo fácil. E você nem precisa sair da sua casa! Mergulhe nela de cabeça e torne-se uma piranha cibernética!


Leve uma hedonista e orgástica vida. Vire uma amante profissional fazendo realidade todas suas fantasias. Transforme os homens que a rodeiam em seus objetos sexuais, escravos de seu prazer: participe de orgias e maratonas sexuais. Dê-se o gosto de transar com todos os homens que desejou durante seu relacionamento, quando não podia fazer nada porque você –sua trouxa chifruda!- era fiel.

Curta o sexo sem compromisso e, literalmente, goze sua nova fase de solteira.

Procure relações ocasionais
Embora você ainda não esqueça seu “ex”, uma companhia masculina a manterá agradavelmente ocupada. Quando você se sinta o suficientemente forte, ou seja, que a lembrança dele já não lhe provoque lágrimas, volte à caça. Procure uma que outra relação ocasional, nada sério. Apenas para passar o tempo e ter a quem abraçar nos momentos em que a insuportável saudade atacar. Alguém com quem ir ao cinema e transar de vez em quando... Se bem que isso parece a descrição de alguns casamentos...glup!

Domingo, Junho 24, 2007

Como sobreviver sem ele-Capitulo 4 (CAMINHO A ESQUECE-LO II)

FLORECIMENTO DA AUTO-ESTIMA
O apoio emocional que venha a receber nesta etapa será imprescindível para o florescimento de sua auto-estima, mais que ferida após o abandono. Como não é fácil esquecer, além de manter a mente ocupada você deve se rodear de gente que a faça sentir bem nos momentos em que a saudade fique insuportável.
Nesta fase, você deve voltar a se sentir bonita e sensual, assim que será um bom momento para investir no seu corpo, mudar seu visual e se liberar sexualmente. Sinal verde para sair com outros homens (sem procurar ainda um novo relacionamento) e conhecer gente.



Reencontre seus amigos
Substitua seu ex por suas amigas. Mesmo que as tenha deixado de lado quando você começou a namorar com ele (por que sempre fazemos isso?). Elas entenderão, pois também já fizeram isso com você. Não duvide em chamá-las e procurar o apoio e a companhia delas a toda hora. Principalmente quando bater aquela saudade do “defunto”.
Novas amizades farão muito bem além de trazer novas experiências à sua vida. Procure-as.
Mas lembre-se: É amizade e não namoro!!

Procure a familia
Quem melhor que sua família, principalmente as mulheres da sua família, para entender o que você está passando. Elas brindarão todo o apoio e a solidariedade que você precisa nesta etapa. Acerque-se delas mais do que nunca, não tema escutar seus conselhos –ou recriminações.
Seguramente, elas também sofreram como você -ou continuam sofrendo. O fato é que a má experiência delas pode te reconfortar ao pensar que a tristeza de muitas é consolo de algumas.

Mas, atenção! Afaste-se das tias solteironas. As mais rancorosas pode que só mostrem a maldade do sexo masculino e não queremos que seu traumatizado coração tome gosto pela solidão. Porque, está certo que um homem a feriu, mas isso não quer dizer que todos sejam iguais!... Será?
Faça terapia
Não tenha vergonha de procurar ajuda psicológica. Como se estivesse possuída por esse amor demoníaco que não te deixa em paz, este profissional pode te ajudar a exorcizá-lo. Ou procure um padre. Ou um pai de santo.
Mas, cuidado! Neste momento em que você se encontra tão susceptível e frágil, pode acontecer que você se apaixone pelo psicólogo lindo e felizmente casado que a está tratando… e tudo começará outra vez.
Dica: Procure profissionais velhos e feios. Ou de sexo feminino.


Leia livros e manuais de auto-ajuda
Devore um monte de inúteis livros de auto-ajuda como este. A carregarão de toneladas de ineficazes conselhos de auto-superação, mas, pelo menos servirá de distração.
Além disso, a farão se sentir inutilmente acompanhada no seu sofrimento. Verá nesses livros que não é o ser mais patético do mundo, mas que existem milhões iguais a você.

Renove sua imagem
Olhe-se no espelho e faça uma lista detalhada e crítica do que você pode mudar. É importantíssimo que volte a se preocupar pela imagem que você quer projetar a partir de agora. Deve se sentir uma nova mulher, ou pelo menos, intentá-lo. Invente “looks” que nunca antes você experimentou. Tome aquele banho de loja e renove seu guarda-roupa e sua alma.


Re-decore seu entorno
Se “quem casa quer casa”, quem descasa também. Se você não pode se mudar da casa onde moravam juntos -na qual até a colherzinha de café tem a cara dele!- pelo menos disfarce-a. Lembre que para a nova mulher que pretende ser, deve haver também um novo ambiente. É primordial que neste novo começo, nada lembre a quem um dia partiu seu coração.
Obviamente comece pelo seu quarto. Mude sua cama de lugar; queime os lençóis, o colchão, o criado mudo –que se pudesse falar, as coisas que contaria! Acabe de uma boa vez com toda a intimidade e erótica lembrança que a rodeie.
Tire todas as fotos dele que estejam à sua vista. Não se esqueça da que você leva na carteira e a do porta retratos no seu trabalho.

Quarta-feira, Junho 20, 2007

Como sobreviver sem ele-Capitulo 4 (CAMINHO A ESQUECE-LO I)

MANTENHA A MENTE OCUPADA
Já dizem os mais sábios que o ócio conduz ao vício. Por tanto, para evitar recaídas – porque também ninguém é de ferro- você deve se manter ocupada o tempo todo. Busque em mil e uma atividades absurdas, a desculpa perfeita para se manter longe dele. Em corpo e alma. Mas, principalmente em mente, já que ela é a mais traiçoeira de todos os seus órgãos. Se você conseguir não pensar em seu ex (bem ou mal) pelo menos durante uma hora, haverá dado um passo muito importante na sua vida.

É verdade que pode cair no vício novamente, vez ou outra. Talvez se surpreenda correndo no parque onde você sabe que ele vai estar; ou procurando-o ocasionalmente em alguma fila de cinema. Mas enquanto estas práticas não sejam tão graves como para voltar à Reincidência, estará tudo bem.

Aferre-se ao trabalho
Já que está sozinha, é hora de pegar toda essa paixão que ficou dentro de você e verte-la em cheio em seu trabalho -mesmo que você nunca tenha gostado dele. É hora de casar-se literalmente com sua profissão. Viver com ela. Dormir com ela (ou com seu chefe). E se possível, até gozá-la. Faça horas extras e pegue todas as responsabilidades que puder. Vire a funcionária do mês, com direito a foto pendurada na parede do escritório e salva de palma dos colegas.
Mas, cuidado com os excessos porque ao contrario de curar seu coração, você pode pará-lo para sempre.
Viva novas emoções
Todas aquelas experiências emocionantes, que nunca imaginou viver, pratique-as. Você se sentirá absolutamente renovada e cheia de coragem para enfrentar uma nova vida sem ele.
Curta esportes radicais, por exemplo: pular em pára-quedas, escalar o Everest, mergulhar em áreas infestadas por tubarões, etc.
Lembre-se, o céu é o limite! –e um destino seguro também, se você não se cuidar.
Recomendo-lhe um seguro de vida de antemão, ou pelo menos, um bom seguro de saúde para uma que outra fratura no pescoço.


Cultive-se espiritualmente
Como já dissemos, o propósito é mantê-lo longe de você em mente e alma. Por isso é fundamental que fortaleça o espírito, cultivando-o e obrigando sua alma enamorada a obedecer à sua vontade, ou seja, esquecê-lo.
Procure outras religiões, una-se a seitas malucas apocalípticas. Vire esotérica e entre em harmonia com o cosmos e consigo mesma. Pratique ioga, meditação, levitação, contatos extraterrenos e todo tipo de terapias “new age” que tenham a ver com seu interior tais como o Reiki, os Florais de Bach, aromaterapia, cristaloterapia, bio-dança, psicoterapia prânica, Iridologia, Aurasoma... seja lá o que for tudo isso!
Fuja da tentação da carne -dele- e vire vegetariana.


Trabalhe seu corpo
Mente (e coração) sadia em corpo sadio. Faça seu corpo suar todos os dias numa academia. Mate-se malhando, fazendo musculação, aeróbica, ginástica localizada, Tae-bo, step, Jump fit, spinning, ufa! etc, etc, etc… Fulmine todos os pneuzinho de despeito que você acumulou depois que ele te deixou. Se puder, também transe com seu instrutor, será um bom exercício para o corpo e um alegre bálsamo para sua tão sofrida alma.


Volte a estudar
Cultivar-se intelectualmente também a ajudará como passa-tempo e distração. Não fique envergonhada de voltar aos estudos. Poderá terminar alguma carreira que deixou por ele, ou simplesmente estudar o que você sempre quis e nunca teve a oportunidade.
Converta-se numa intelectual: estude línguas estrangeiras, História Antiga, Arte, Latin, Literatura francesa, Corte e confecção, Jardinagem. No caso que você já tivesse um título universitário, volte aos livros para obter seu mestrado, doutorado, PHD. Ou todos ao mesmo tempo.
Procure grupos de ativismo social
Um pouco de ideologia e atividade cívica lhe farão muito bem. Além de aportar o seu grão de areia para fazer deste um mundo melhor.
Defenda os direitos dos cidadãos de sua comunidade e organize manifestações nos bairros. Vire feminista e ecologista. Lute pelos direitos das baleias e dos vegetarianos. Ative e lidere grupos de apoio a todo tipo de causas, justificadas ou não.
E sempre leve consigo, um cartaz em branco se por um acaso aparecer alguma manifestação no seu caminho!

Troque de paisagem.
Longe dos olhos, longe do coração. Quanta sabedoria popular! Viajar é uma das melhores receitas para superar um grande amor. Esqueça-o fazendo uma longa e exótica viagem, a milhares de quilômetros de distancia, no outro extremo do globo terrestre! Escolha o destino mais excêntrico que possa lhe passar pela cabeça. Surpreenda-se numa raríssima viagem á Tailândia. Ou à Jacutinga. Se mande como puder, em avião, balão, carro, bicicleta ou jegue. O negócio é mudar de ar por um tempo.
Agora, se o seu caso fosse crônico, pegue todas as suas coisas e mude-se de país!

Terça-feira, Junho 19, 2007

Como sobreviver sem ele-Capitulo 4 (CAMINHO A ESQUECÊ-LO)

Por fim você está aprendendo a pronunciar a palavra EX. Balbuciando-a ainda, mas pelo menos já consegue admiti-la em seu corriqueiro vocabulário. Conseguiu sobreviver ao tortuoso caminho que a trouxe até aqui, chegando –mais ou menos- inteira. Está decidida a virar a página e a prosseguir com a sua vida.
Esta é uma fase muito positiva, mas, não por isso menos desesperada. Você já não será aquela louca obsessiva atrás dele, á beira de um abismo sentimental. Mas a urgência por esquecê-lo também fará que você se comporte de um jeito bastante... esquisito.

Lembra da sua auto-estima? Aquela que ficou soterrada embaixo de toneladas e mais toneladas de entulho emocional que você fez questão em acumular desde que ele te deixou? Pois bem, haverá que cavar profundamente e resgata-la, lá no fundo do seu subsolo. Se ainda restar algo dela, você terá que fazê-la florescer. Mesmo que seja à força.
Será sua etapa de “Renascença” pessoal. Por fim sairá das trevas, da sua obscura era medieval –voltada apenas à ignorante e cega adoração Dele. Você deverá voltar a ser uma pessoa racional, transformando-se no centro da sua própria vida, valorizando-se com renovados brios.

É um ponto de transição em sua vida. A passagem de “compromissada” á assumida solteirice. Portanto, haverá todo um mundo a ser re-descoberto; qualquer coisa que mantenha a sua mente longe dele.
Toda mudança será boa para recompor seu coração e seguir à frente sem o ex-grande amor da sua vida. As mudanças exteriores serão importantíssimas, inclusive simbólicas, já que o “mudar por fora” representará o desejo de mudança interior, de transformar-se numa pessoa mais forte, mais segura e já não apaixonada -por ele lógico, pois tampouco queremos que a heroína desta trágica história acabe sozinha.

A meta final deve ser a absoluta indiferença com respeito a ele, embora isso, francamente, às vezes seja impossível.

Quinta-feira, Junho 14, 2007

Como sobreviver sem ele-Capitulo 3 (DO AMOR AO ODIO IV)

A DOCE VINGANÇA
Agora passemos da idéia a real ação. É obvio que você quer que ele seja punido por todo o sofrimento que ele lhe causou. E apenas com castigos virtuais, não se sente recompensada. Se você acha que fazendo que esse cachorro pague “realmente” por tudo que aprontou, o ódio que ainda resta em você se esfumará definitivamente, então... Avante! VINGUE-SE!

Estas são algumas práticas vingancinhas que você poderá levar adiante facilmente:

Transe com todos os amigos dele!
Mesmo que ele já não ligue à mínima pra você, o fato que tenha virado a maior piranha e comido todos os seus amigos, seguramente vai feri-lo profundamente. Não por você, claro, mas sim por eles. Principalmente, o seu melhor amigo.

Bote a boca no trombone.
Jogue toda a merda no ventilador. Suje totalmente sua moral e reputação, contando TUDO para qualquer um que queira ouvir. Todos os segredos dele que você jurou não contar jamais, publique-os no jornal e na internet. Revele e aumente todos os defeitos mais íntimos que ele tinha.


Difame-o.
Calunie seu bom nome contando um monte de mentiras sobre ele, aquelas acusações típicas de mulher ferida. Por exemplo, diga a todo o mundo –principalmente às mulheres que o rodeiem- que o filho da puta é gay, brocha e alcoólatra. E não se esqueça de insultar toda a família dele também.


Roube a nova namorada dele
Como? Contrate um homem irresistível para que seduza e se aproprie da nova mulher dele. Assim sentirá na pele o que você sentiu. Mas se não tiver grana para levar a cabo esse maquiavélico plano, vire lésbica e faça você mesmo o trabalho. Vai ver que ela é mais legal do que seu ex, e vocês acabam sendo feliz juntas!

Vire parte da família
Você não conseguiu entrar para a família através dele, então entre em contra dele. O negócio é forçá-lo a continuar te aturando dentro do seu seio familiar. Case-se com o irmão, com o primo, ou com o tio viúvo de oitenta anos. Ou faça que a mãe dele adote você. Imagine que oportunidade de infernizá-lo durante a macarronada dos domingos!

Seja a chefe dele.
Ah, não pode haver pior vingança que essa! Se uma chefa já pode ser bastante cruel, imagine as ilimitadas possibilidades de uma chefa despeitada. O poder de maltrato e humilhação que você terá em suas mãos será monstruoso. Use, e principalmente, abuse!

Vire amante do chefe dele.
Use todo seu charme e poder de sedução, para que o chefe dele faça tudo o que você quiser. Ou seja, acabar com a vida do seu ex!
Vire sua vizinha
Mude-se do lado dele e vire a pior vizinha que jamais existiu. As possibilidades de perversidade aqui também são ilimitadas! Imagine: barulho até altas da madrugada, quando você sabe que ele tem que trabalhar ás seis da manhã; animais mortos jogados pelo muro; praga de formigas embaixo da cama onde o desgraçado dorme com a outra... Divirta-se!!
E não esqueçamos da cereja do bolo!
Se não consegue afeta-lo no coração, então ataque no bolso. Aí é onde realmente dói!!
Se você está se divorciando legalmente consiga o advogado mais filho-da-puta que ache, e tire-lhe tudo. Imóveis, jóias, todo tipo de propriedades... TUDO! Deixe-o no olho da rua. E não se esqueça de utilizar as crianças novamente.
Se a sua separação é mais pé-de-chinelo (como foram sempre as minhas), tampouco tenha piedade. Tire dele tudo o que conseguir, o salário mínimo, os móveis velhos da casa, o fogão enferrujado, a bicicleta... Sei lá, deixe-o pelado.

Você pode planejar e curtir todas as vinganças inimagináveis (seja criativa), mas lembre-se que a única vingança realmente efetiva, é que ele veja que você pode ser feliz sem ele.

Sábado, Junho 09, 2007

Como sobreviver sem ele-Capitulo 3 (DO AMOR AO ODIO III)

Quebre o Pau!
Neste crucial momento, aposto que a simples imagem dele deve lhe provocar, além de náuseas, uma desenfreada violência, uma vontade terrível de partir-lhe a cara, não é? Pois então, bote pra fora toda a agressividade que ele lhe inspira e literalmente quebre o pau!


Construa seu próprio ringe e lute com todas suas forças contra algo que o represente.
Pode ser uma almofada com o retrato de seu “ex” ou uma boneca vestida com alguma prenda dele. Diariamente, lute contra sua lembrança os rounds que sejam necessários. Cuidado com exceder-se e quebrar a casa inteira!


Se você achar que não logrou humilhá-lo e maltratá-lo psicologicamente o suficiente para equiparar o seu próprio sofrimento, faça-o com seus pertences. Pegue todas as coisas que ele esqueceu ou deixou na sua casa depois que a abandonou; roupas, sapatos, objetos. Coloque-as em sítios humilhantes, sujos e nojentos, degradando-os continuamente. Não esqueça de insultá-las.
Denigre seus objetos pessoais como se dele se tratasse!


Destroce, cuidadosamente, todas as coisas que ele deu de presente para você, gozando insanamente enquanto realiza esta operação. Destrua, um a um, com meticulosa e cruel delicadeza, seus retratos, as cartas, as vestimentas dele que ainda estejam com você.
Mas, calma! Enfurecida pela raiva, não seja tão boba como para destruir algo de real valor monetário, alguma jóia -sua aliança de casamento, por exemplo. A esse tipo de objeto você poderá tirar mais vantagem levando-o a uma casa de penhor de quarta categoria.

“Assassine” também, um a um, todos os bichinhos de pelúcia que ele lhe deu de presente de aniversario, no dia dos namorados, no natal... Em fim, todas aquelas datas que passaram juntos; momentos aqueles inesquecivelmente românticos. Todos os ursinhos, coelhinhos, patinhos, elefantinhos devem ser eliminados.



Não perdoe a vida de nenhum deles, por mais fofinhos que sejam. Não se assuste do seu próprio sadismo e maldade. Faça que cada um dos bichinhos de pelúcia sofra como um boneco de vodu!
Você vai ver que grande alivio sentirá depois desses saudáveis exercícios.

Domingo, Maio 27, 2007

Como sobreviver sem ele-Capitulo 3 (DO AMOR AO ODIO II)

EXERCITANDO O ÓDIO
Libere todo o ódio que flui nas suas veias como lava escaldante. Como um vulcão de ressentimentos em erupção, precisa encontrar uma via para expelir todo esse líquido furioso de bílis e desamor que está em ebulição dentro de você. Exercite-o para que aflore com força e crueldade.
Comece provocando a fera ferida, cutucando-a com vara muito curta. Imagine o seu ex com a outra, sendo feliz de todas as formas que não quis ser com você. Por exemplo, se ele não quis se casar, imagine-o em um matrimonio maravilhoso -com direito a véu e grinalda, igreja cheia de orquídeas e bolo de nozes gigante- levando outra mulher do braço (muito mais linda e jovem que você). Se ele não quis ter filhos, imagine-o em um parquinho, num domingo ensolarado, rindo feliz com um fofíssimo casal de filhinhos que tem o sorriso do pai, mas o cabelo ruivo da mãe, que obviamente não é você. Se ele não quis viajar com você, imagine-o de mãos dadas com aquela vaca, passeando pelas ruas de... Paris?... em inesquecível Lua de Mel, trepando em hotel cinco estrelas, rodeados de champanhe e diamantes. E tudo pagado por ele, claro! Desgraçado!
Está sentindo a raiva vindo como um vômito irreprimível, saído das catacumbas infernais do estômago do seu amor próprio?
Então continuemos com estes saudáveis exercícios mentais.
(eu perdi o cartoon que ilustra este texto; tampouco me lembro de qual era... por isso lá vai a maior das apelações, uma ilustra tirada diretamente da net... glup!)


Planeje a morte dele com sádicos detalhes e imagine-a de todas as formas possíveis. Você é agora uma psicopata sem moral nem piedade, prepare as facas da sua dor de cotovelo. Se falta inspiração, assista os mais sangrentos filmes de terror sobre assassinos –como “O massacre da serra elétrica”, “Os Sete Crimes Capitais”, “O silêncio dos inocentes” –e faça sua macabra imaginação voar. Veja também alguns documentários sobre a Santa Inquisição -encontrará riquíssimo e abundante material em refinadas técnicas de tortura.
A continuação, algumas amostrinhas de mortes violentíssimas.


Devorado por tubarões!





Esmagado por uma manada de touros!


Comido por canibais!





Esmagado por um Tiranossauro ou qualquer outro monstro gigante!





Esquartejado e estudado pelos extraterrestres!


Também é importantíssimo imaginar que ele se arrepende por todo o sofrimento que lhe causou no último suspiro antes de morrer. Isso provocará em você uma sensação de reconfortante bem estar, e inclusive movida por esse amor que ainda a sufoca, terá vontade de redimi-lo. Mas, nana-nina-não! Neste momento não deve haver lugar para nem um pinguinho de perdão na sua envilecida alma.

Obviamente, não realize nenhuma destas ações. Imagine-as sem pudores; curta-as impunemente, mas “assassine-o” só na sua mente e em seu coração.
Lembre-se: não vale a pena passar o resto da vida na cadeia por causa de alguém que não dá à mínima pra você!

Como sobreviver sem ele-Capitulo 3 (DO AMOR AO ODIO I)

DO AMOR AO ODIO
Tudo bem. Já percebeu que definitivamente não tem jeito. O dito cujo já não está mais apaixonado por você e definitivamente pulou fora. E não importa o que faça, ele não voltará nunca mais. Talvez esteja namorando outra mulher ou felizmente solteiro, o fato é que não quer saber mais nada de você.
Idiota, você se humilhou tentando reconquistá-lo, rastejou, suplicou e ele… NADA. Nem sequer mostrou piedade. Já a esqueceu e refez sua vida bem longe de você.
Você ainda continua pensando nele, mas sabe que já não tem a menor chance. E quando as esperanças morreram o único que resta é um cadáver fedorento, uma espécie de zumbi com a cara de seu ex. Como se você acordara de um sonho cor de rosa e fosse diretamente para um sinistro e sangrento pesadelo.


De pronto entende que tudo o que fez, não valeu a pena e que ele nem sequer o mereceu. E que você, neste hilariante drama, fez o papel do palhaço principal. É então que todo o sentimento que você tinha por ele se converterá em ódio. Pois seu amor é como um ser vivo que nasceu puro, lindo, tenro, fofinho como um pequeno ursinho. Mas ao ser maltratado, desprezado, rejeitado, se deformou e cresceu desmedido, transformando-se em um monstro podre, incontrolável. Uma bestial fera dolorida, um Godzilla enlouquecido pisando minúsculos e desesperados japoneses que correm pelas ruas de Tókio!!!


E quanto mais amor você apostou na sua relação, mais forte será este vil sentimento.

Agora, ávida de vingança, o único que desejará é dar o troco! Fazer com que ele pague pelo seu sofrimento; porque a abandonou, porque tem outra mulher, porque a humilhou, a feriu, a desprezou... E porque afinal -coitada!- você ainda está apaixonada por ele.
Mas, tranqüila, o que você viverá na seguinte etapa, é só o último esperneio antes de ir caminho a esquecê-lo. É normal sentir raiva, ira e o desejo quase sangrento de fazê-lo sofrer tanto quanto você sofreu. Para o bem da sua saúde e beleza, este processo também deve ser acelerado, já que como sabemos, o ódio destrói mais a quem o sente, que a quem é odiado. E o único que produz o rancor são rugas, gastrite e cabelos brancos –credo! Além de transformar-nos em horrorosas megeras; tão longe das doces e angelicais criaturas que normalmente somos.
Por isso, nesta fase a idéia é apagar rapidamente toda a raiva que você sinta por seu ex, forçando-a a sair de seu interior, onde está te queimando e consumindo.
Odeio-o com vontade! Destrua todo o amor por ele que ainda resta em você; até que você sinta por seu ex nada mais que um profundo desprezo.
A partir deste momento, idealizá-lo a ele ou a seu ex-relacionamento está terminantemente proibido. Nada de boas lembranças!
Você deve enfiar os pés na lama e sujar tudo de bom que você sentiu um dia por ele. Cuspa e maldiga sobre esse cadáver!!!!

INTERROMPEMOS ESTE LIVRO.....

Apenas porque achei algo muito fofo hoje no supermercado e não podia deixar de comparti-lo com vocês, raros leitores.
Eis o fruto do desejo.
Por incrível que pareça.... já vi "menores".
Continuamos com o livro no próximo post.

Sexta-feira, Maio 25, 2007

Como sobreviver sem ele-Capitulo 2 (Reincidência IV)

Partindo pra ignorancia
Se o seu ex não voltou e sua paciência finalmente se esgotou, é hora de tomar medidas mais drásticas. É hora da baixaria, de quebrar o barraco mesmo! Use métodos mais agressivos e persuasivos como ameaças, chantagem, mentiras, escândalos, extorsões, seqüestros.
Copie o modus operandis da Máfia, por exemplo. Contrate capangas para deixar a nova mulher do seu ex “fora de jogo” (capicce?). Mantenha-os reféns do medo, a ele e a toda a sua família.
Faça o cursinho básico de megera psicopata, assistindo ao filme “Atração Fatal” - se ele não tiver coelho, mate o gato. O negócio é que ele volte pra você, por amor ou por terror.



Utilize as crianças.

Se tiverem filhos e você ficou com a guarda, é hora de utilizá-las maquiavelicamente por meio de chantagens sentimentais do tipo “ou você volta pra mim, ou nunca mais verá as crianças novamente”. O futuro emocional e psicológico do seu filho estará em jogo, mas vale a pena.
Também poderá engravidar. O velho conto da barriga é a mais popular das receitas furadas para segurar um homem ao seu lado. Você pode enganá-lo só fingindo gravidez (o manjado truque da almofada) ou realmente usar todo tipo de recursos inescrupulosos para ficar realmente grávida. A pequena conseqüência é que você pode acabar ficando com um filho para criar sozinha, de um homem que provavelmente vai acabar te odiando pro resto da vida.



Ah, e não esqueça do maior dos apelativos, novamente as frustradas tentativas de suicídio. Faça-o se sentir culpado ligando pra casa dele as três da madrugada, chorando meio chapada e dizendo que se ele não volta, você vai se matar.
Acaso, não é o que todas queremos, um homem não apaixonado ao nosso lado?
Na marra, mas seu!!!


Transformada na vilã da novela das oito, enlouquecida de amor, você será capaz de qualquer coisa para fazê-lo voltar -lembre-se que essa personagem sempre morre de uma forma violentíssima no final.
Mas, não ouça ninguém que queira mostrar o ridículo e obsessivo de seu comportamento. Não deve existir amiga, familiar ou psiquiatra que salve você desta etapa e apague suas idéias pra recuperá-lo.
Sozinha perceberá que ele já não está apaixonado por você, e quando isso aconteça, superará esta fase. Durante a reincidência só posso lhe recomendar coragem e muita cara-de-pau para afrontar vexames inesquecíveis. Além de um bom advogado, já que não queremos que vá parar a cadeia ou a um hospício, não é?

Lembre-se que o nosso lema é: SOBREVIVEEEEEEER!

Marcadores:

Domingo, Maio 20, 2007

Como sobreviver sem ele-Capitulo 2 (Reincidência III)

Vire uma feiticeira
Esta é a sua oportunidade de virar uma expert em ciências ocultas a serviço do desamor. Experimente todo tipo de feitiços e sortilégios, pratique magia negra, branca, amarela e cor de rosa. Não esqueça do vodu.
Encarne o preto véio que sempre esteve dentro de você e transforme seu quarto num terreiro de macumba... E saravá!!!Faça todo tipo de trabalhos sinistros para trazê-lo de volta. Haja charuto e Galinha preta!
Procure nas revistas, nos cadernos da escola, nos livros de receitas da vovó, aquelas velhas e tão familiares simpatias para “recuperar a pessoa amada”.

De quebra, aí vai uma simpática e facinha: Num pedaço de papel branco escreva o seu nome e do seu amor completos. Embrulhe nesse papel sete pedaços de maria–mole e deixe esse pacote em um jardim bem bonito e ofereça a São Cosme e São Damião.
Importante, não coma a maria-mole!!! Se não tiver maria-mole, pode ser paçoca; pé de moleque para corações mais duros. Para corações devastados, recomendo arroz doce. Escolhi esta simpatia porque se não der certo e ele não voltar correndo arrependido á seus braços, pelo menos se tem o consolo de comer um docinho... Hummm, que delícia a maria-coração-mole!!


Procure a cumplicidade da sua ex-sogra
A sogra é sempre aquele ser repugnante e xereta que aturamos por amor – a ele, lógico. Mas é incrível... É só ele partir para sempre, que sentimos falta até dela. De seus comentários desagradáveis sobre a nossa comida, sobre a limpeza da casa, sobre a educação das crianças, sobre as ex-namoradas dele (que eram melhores, claro) e todas essas opiniões que sempre sobravam. Mas, se durante o seu relacionamento, ela era um pesadelo, um obstáculo em suas vidas, a sua pior inimiga, agora a historia deu um giro de 180°. E tudo dever ser re-escrito. Portanto, você precisa tê-la do seu lado.
Tente uma aliança desesperada: ligue para ela para recordar... ehem!... os bons momentos que passaram juntas; mande flores e presentes com qualquer desculpa; visite-a como você nunca fez, bajule-a, puxe seu saco... Em fim, convença-a que você é a nora ideal. Acredite que se você reconquistar a mãe, obterá o filho.

Tente ser "apenas" sua amiga
Como diz naquela canção, Chuvas de verão, “Podemos ser amigos simplesmente, coisas do amor nunca mais.” Tente convencê-lo disso, por mais absurdo que possa soar aos seus próprios ouvidos. Seja a melhor amiga que ele tem, aquela que você nunca foi durante sua relação. A mais legal, engraçada, compreensiva e solidária companheira. A camarada de sinuca, de cinema,de dança de salão e por sobre tudo –aí queríamos chegar- respeitável conselheira. Engane-se acreditando que dando “bons conselhos” de amiga, você conseguirá afastar qualquer mulher que se aproxime dele. Além de fazer que seu ex veja a excelente mulher que perdeu, e comece a sentir saudades de você.
“Estranha no meu peito
Estranha na minha alma
Agora eu tenho calma
Não te desejo mais
Podemos ser amigos simplesmente
Amigos, simplesmente, e nada mais.”

Glup!!!

Faça amizade com a atual namorada dele
Shakespeare dá a receita perfeita para este plano cabeludo. A obra “Otelo” ensina a ser um Iago, o mais perfeito “amigo da Onça”. Na terrível tragédia Shakespereana, Otelo é um homem de frágil coração apaixonado que, induzido pelas venenosas e invejosas palavras de seu “amigo” Iago, por ciúmes acaba matando o grande amor da sua vida, sua esposa Desdemona. É claro que não queremos que a nova namorada de seu ex, o assassine. O que queremos é que ela termine com ele.

Secretamente ganhe a confiança da atual mulher do seu ex, virando sua melhor amiga e confidente. Uma vez conseguido isso, desça o cassete encima dele, convencendo-a de que não é homem pra ela -só pra você (nesta parte você solta uma dessas risadas de bruxa maquiavélica).
Sendo sua amiga, será terrível ter que escutar o maravilhoso que ele é e todas as coisas que faz com ela que nunca fez com você, mas... Vale a pena, não é? Desde dentro, será muito mais fácil sabotar esse lindo casal de pombinhos.

Mude a seu gosto
Lembra de tudo aquilo que ele dizia que não gostava de você? Pois bem, eis a chance de pegar todas essas coisas e muda-las a seu favor. Ele não gostava do seu time de futebol? Vire torcedora fanática do time dele. Ele dizia que você falava demais? Fique muda. Ele não gostava das suas opiniões muito críticas? Pois deixe de tê-las. Aliás, deixe de pensar por si mesma, pense só em função do que você acha que ele gostaria que você pensasse. Não importa que perca sua própria identidade, já que o único que interessa é se transformar na mulher dos sonhos dele.


Renove seu visual
Se num passe de mágica, você se transformasse em outra pessoa, totalmente diferente, teria mais chances de reconquistá-lo, não é? É impossível fazê-lo literalmente, mas lembre-se que a mágica não passa de apenas uma ilusão óptica. E existe um monte de “mágicos-ilusionistas” dispostos a fazer de você outra mulher, mais jovem e bonita. Sintética sim, mas alguém que seu ex desejaria de volta.
Ponha-se em mãos do melhor cirurgião que você possa pagar e tente mudar sua alma, mudando completamente o seu rosto e o seu corpo. Até se transformar em alguém irreconhecível.
Lembre-se, peitos e bunda gigantes podem salvar sua relação!

Marcadores:

Quarta-feira, Maio 16, 2007

Como sobreviver sem ele-Capitulo 2 (Reincidência II)

Ligue para ele
Ao celular, no trabalho, na casa da mãe dele, no boteco que ele freqüenta; no motel onde seu ex estiver com a nova namorada. Mil vezes ao dia com qualquer desculpa, não dê a menor chance de ele esquecer a sua linda voz. Cada vez que troque o número, consiga-o de qualquer jeito, por meio de todo tipo de artimanhas corruptas ou violentas. Até que você fique odiadamente famosa na companhia telefônica e todos os funcionários conheçam a sua chatíssima historinha de cor.


Siga-o
Você deve saber em todo e qualquer momento onde ele se encontra. A partir de agora o seu destino é ser sua sombra. Esqueça sua própria vida, largue todos seus compromissos e persiga-o como um cão farejador –no caso, cadela- seguindo seu perfumado rastro (ahhh... aquela colônia que você adora e lhe deu para o dia dos namorados!). O único que importa é saber onde ele anda e principalmente com quem.
Use todas as suas amigas fofoqueiras e monte uma complexa e eficiente rede de espionagem pra FBI, CIA, KGB nenhuma botar defeito. Se ainda não está satisfeita, ponha meia dúzia de detetives atrás dele.


Procure os amigos dele
Anteriormente você odiava a turma dele; sempre que podia a evitava e tentava também que ele a evitasse. Aqueles beberrões companheiros do futebol que deixavam sua sala toda suja de barro; os chatíssimos ex-colegas de classe com os quais recordavam milhões de vezes a mesma chatíssima anedota adolescente; os horrorosos amigos de boteco a cujos arrotos e papo sobre mulher pelada você sobreviveu elegantemente. Mas agora, as coisas mudaram e você sabe que uma aliança com toda essa gente nojenta será imprescindível para seus propósitos de re-aproximação. Por tanto, prepare-se para fazer parte dessa odiosa e ruidosa turba.

Idealize-o
A partir deste momento, ele deixará de ser um simples e imperfeito mortal, descendo diretamente do Olimpo para suas retorcidas lembranças, belíssimo, maravilhoso, ideal. O outrora namorado broxa será convertido em exímio e delicado amante; o intolerante parceiro em carinhoso companheiro. Todos e cada um de seus defeitos serão elevados a uma doentia exaltação romântica, transformando-se em imaculadas virtudes. Ele nunca foi, nem será tão belo, tão forte, tão inteligente e compreensivo como agora que te deixou. Esqueça todos os problemas que tiveram, todas as brigas e vícios e usando a maquiagem da sua própria carência, coroe-o como o Homem Perfeito.

Ciúmes nele!
Para todos os lugares públicos onde ele possa te ver, vá acompanhada. Se não tem com que ir, use a sua imaginação e improvise. Pode ser um esfregão desses bem cabeludos (pra dar a impressão de um namorado hippie); um alegre boneco gigante roubado de um posto de gasolina -o da Michelin, por exemplo; ou um desses painéis promocionais de cinema que tem a forma de alguma celebridade em tamanho natural (é a sua chance de sair com Brad Pitt!). Lembre-se que na escuridão de um bar ou boate, ninguém vai notar a diferença entre uma companhia real, sintética, de papelão ou imaginária. O negócio é que te vejam falando sem parar e com um sorriso de orelha a orelha.
Ou pegue o primeiro espécime masculino que passar pela sua frente. Não importa que a companhia que você consiga seja péssima ou horrorosa. O importante é acreditar que você pode amolecer o coração do seu ex, provocando-lhe ciúmes.

Procure ajuda no destino
Já que ele não está do seu lado, pelo menos o destino tem que estar. E com certeza, um futuro próximo os unirá, pois sua convicção pode ser mais forte que a realidade: é a sina de vocês dois acabarem juntos.
Use e abuse de todo tipo de serviços de futurologia e pague tudo o que for preciso para escutar o que você quer: que ele vai voltar íntegro e apaixonado aos seus braços para sempre. Consulte as inumeráveis ciganas modernas que pululam na internet, na lista telefônica, nos classificados dos jornais. Existem milhares de astrólogas- tarólogas- videntes- cartomantes- parapsicólogas, loucas para pegar como cliente um espírito abalado como o seu.
(continua...)

Quinta-feira, Maio 10, 2007

Como sobreviver sem ele-Capitulo 2 (Reincidência I)

A REINCIDÊNCIA
Nada ficou no lugar
Eu quero quebrar essas xícaras
Eu vou enganar o diabo
Eu quero acordar sua familia
Eu vou escrever no seu muro
E violentar o seu rosto
Eu quero roubar no seu jogo
Eu ja arranhei os seus discos
Que é pra ver se você volta
Que é pra ver se você vem
Que é pra ver se você olha
Pra mim
Adriana Calcanhoto



A Reincidência é outra etapa inevitável. Extremadamente mais dolorosa e desonrosa que o Luto porque se trata de não aceitar o abandono, de não se resignar a perdê-lo. De simplesmente não suportar a sua falta. Da mais terrível urgência por recuperá-lo e reconquistar seu amor a qualquer preço. E, neste estado de desesperação, vale tudo. Desde ir a um programa de televisão a suplicá-lhe de joelhos que volte pra você na frente de milhares de telespectadores, até seqüestrá-lo, obrigando-o a jurar amor eterno.

Não tema nenhum tipo de vexame. Ao contrario! Entre nessa armada de coragem, porque serão muitos os papelões ao quais você vai se expor. Arrastar-se trás dele; persegui-lo como uma doida obcecada; ligar pra ele mil vezes, ainda que o desgraçado tenha trocado o número de telefone com a mesma freqüência; oferecer-se; presentear-se; leiloar-se… será a cruz de todos os seus dias.
Nada importará, mesmo que ele já não te ame e tenha deixado isso muito claro. Em caso que já tenha outra namorada, você pode inclusive, propor-lhe conformar um triângulo amoroso, um masoquista ménage a trois! Auto engane-se, acreditando desvairadamente em que o que você está fazendo é “lutar por ele”. Queime, incinere, devaste o restinho de dignidade que ainda lhe fica, enquanto ele a ignora e prossegue com a sua vida absolutamente indiferente a sua dor.
Este manual a ajudará a reincidir para que não fique em você nenhuma dúvida antes de aceder à seguinte fase. Deve fazê-lo, pois pelo visto, dependerá da quantidade de vezes que você se machuque para cair na real finalmente, e descobrir que ele não é o homem da sua vida.
Arme-se de coragem e vá à luta!

Domingo, Maio 06, 2007

Como sobreviver sem ele-Capitulo 2 (Reincidência I TESTE)

TEST: Você é uma mulher abandonada?
Para continuar com este manual, deve saber em quê estado do processo de abandono você se encontra. A Reincidência requer um componente de desesperação extra, que na etapa do Luto provavelmente você ainda não alcançou.
Para saber se você já é uma reincidente, faça o teste.

Quantas vezes você o procurou depois que ele a deixou?
a) Nenhuma. Pra que?
b) Algumas, mas foi muito doloroso e já não voltei a intentá-lo.
c) Não lembro a quantidade, foram tantas!… Puxa, acabo de ligar pra seu celular, mas parece que trocou o número de novo…

Quando se lembra dele, sente…
a) Nada.
b) Saudades.
c) Tristeza, raiva, medo, decepção, solidão, desesperação… Necessidade!!!

Se você sabe onde ele vai estar numa noite, você…
a) Não costumava freqüentar os mesmos lugares que ele nem quando ainda éramos um casal, agora então...
b) Evito o encontro, não desejo constrangimentos.
c) Vou ao cabeleireiro, manicura, esteticista, massagista, cirurgião plástico; tomo aquele banho de loja, arrebentando meu cartão de crédito, e vou direto ao seu encontro!

Você o encontrou no cinema com outra mulher, o que sentiu foi…
a) Nada, parecia uma mulher agradável. Espero que sejam felizes.
b) Uma grande dor, mas me concentrei no filme, não permitindo que me estragasse o programa.
c) Vontade de matar aquela piranha-destruidora-de-lares que o acompanhava!

Após o abandono, você saiu com outro homem. A experiência foi...
a) Boa. A gente se deu super bem e acordamos sair novamente.
b) Um tanto frustrante. Ainda sinto saudades dele, mas estou tentando me relacionar com outras pessoas.
c) Horrível! Chorei a noite toda por meu “ex” e o cara com quem saí acabou me consolando e recomendando ajuda profissional.

Você o achou numa festa, sua reação foi...
a) Amistosa, não vejo nenhum problema em cumprimentá-lo.
b) Fui embora. Evito qualquer situação que possa me magoar.
c) Peguei no seu pé a noite toda, evitando que qualquer biscate chegasse perto dele.

Quem você acha que foi o culpável da ruptura da sua relação?
a) Dele, é claro. Mas tudo bem, foi ele quem saiu perdendo.
b) De ambos. A gente não soube levar o relacionamento.
c) Daquela galinha com quem ele está saindo agora! Mas, eu ainda posso recuperá-lo! Tenho certeza!

Quando você fala com suas amigas, seu tema recorrente é:
a) Moda, dietas, música, homens… o habitual.
b) Da minha vida, de como eu estou, de como me sinto… Minhas amigas dão uma grande força pra mim.
c) Dele e só dele! Existe algo mais nesta vida?

Pense alguns segundos e responda com honestidade, você ainda continua apaixonada por ele?
a) Nem em sonhos.
b) Não sei.
c) CLARO!!!!!!

Você acredita que ele ainda te ama?
a) Tenho certeza que não, acho que já nos estamos esquecendo mutuamente.
b) Não sei, mas mesmo que uma relação termine, acho que sempre fica afeto e carinho.
c) Lógico! Sou o amor de sua vida e nada, nem ninguém poderá separar-nos jamais!! Agora só falta que ele também perceba isso...

RESPOSTAS

Maioria A: Poderosa!!! É óbvio que já não o ama e que provavelmente, nunca o amou! Tenho certeza que você nunca derramou sequer uma lágrima por ele e todo este capítulo lhe parecerá uma absurda exageração. Certamente você é dessas mulheres gostosonas, sedutoras e que nunca são abandonadas, não é verdade? E certamente você é das que paqueram todos os homens, roubam namorados e destroem matrimônios, não é? Em todo caso, seu maldito Iceberg, você não precisa deste livro, esta obra é só para mulheres que sofrem e perdem, e não para as insensíveis bem sucedidas como você. E faça o favor de devolver o meu marido!!!!!!
Cachorra!!!

Maioria B: Dona Equilibrada. Você o amava, mas… o está superando; vai aos poucos, sem pressa, mas com muita claridade, sem exagerar. Toma o tempo preciso com a meta certa de esquecê-lo para sempre. Tanto equilíbrio, tanta consciência, auto-estima e seguridade são irritantes, e não tem nada a ver com o perfil de uma mulher que acaba de ser abandonada e que ainda tem o coração destroçado.Você é toda serenidade, maturidade e confiança em si mesma... Então vá escrever um livro de auto-ajuda, porra!!

Maioria de C: Parabéns! Você é das nossas!! Desesperada, continua absolutamente apaixonada por ele e não o deixará ir assim da sua vida tão facilmente. Espera-lhe uma longa estrada de ridículos padecimentos na fé cega e obtusa de que ainda vale a pena sofrer por ele. Não tenha medo de reincidir, é muito necessário! Ele é aquela droga à qual você é totalmente dependente e deixá-la será um caminho difícil e tortuoso. Muitas vezes sua vontade não poderá contra seu coração e inevitavelmente você -débil e mortal ser humano- cairá. Veja no seguinte capítulo, que deverá tratar seu vício com muita coragem e perseverança, pois agora você, cara leitora, acaba de entrar para a AA - Abandonadas Anônimas.

Quinta-feira, Abril 26, 2007

Como sobreviver sem ele-Capitulo 1 (Luto IV)

Luto IV
Tente suicídios leves
Desfrute tentando acreditar que você realmente não pode viver sem ele. Sua miséria e patetismo serão ainda mais efetivos se cada uma de suas tentativas frustradas de suicídio forem devidamente informadas a ele.
Mas não queremos que você morra de verdade, por tanto eis uma lista de suicídios facilmente praticáveis. Todos muito absurdos e inúteis, obviamente, mas que lhe darão essa deliciosa e masoquista sensação de morrer por amor…oh!!!! E a culpa é dele!!! OOOOOOH!!

Corte as veias com faquinha de plástico, essas que sobraram do aniversario do seu sobrinho.




Se afogue numa bacia.

Enforque-se com barbante








Dê-se um tiro de pistolinha de água




Asfixie-se com uma almofada









Jogue-se do primeiro andar da sua escadinha.




E não se esqueça de deixar lúgubres, trágicas e perfumadas cartas suicidas despedindo-se de uma vida sem ele. Capriche na letra.


Você perceberá que o final da fase do Luto se aproxima, quando sentir, erradamente, um novo fortalecimento de espírito e novas e retorcidas esperanças com respeito a ele, como se pudesse ressuscitar, de repente, sua já morta e soterrada relação. Esses confusos e desesperados sentimentos a levarão, irremediavelmente, à Reincidência e então, que este manual lhe ajude!!



BlogBlogs.Com.Br

Quarta-feira, Abril 18, 2007

Como sobreviver sem ele-Capitulo 1 (Luto III)

LUTO III

Tour das lembranças
Sozinha e desconcertada como alma penada, percorra os lugares que freqüentavam juntos, sobre tudo os que melhores lembranças suscitar. Vá ao cinema onde assistiam filmes abraçadinhos; o bar predileto onde se divertiam com os amigos em comum; o parque pelo qual caminhavam de mãos dadas; o motel onde viveram tórridos momentos de paixão – não fique encabulada por ir desacompanhada.
E principalmente, volte ao local onde vocês se conheceram.



Jogue-se ao fundo do poço

Dê aquele passeio pelo inferno, transformando-se num farrapo humano. Todo tipo de vícios anteriores podem ser retomados agora com mais força que nunca. É agora quando você realmente precisa deles!!! Desde sua compulsão por chocolate, até sua dependência pelo crack e a heroína. Se você fumava socialmente, é hora de adquirir câncer de pulmão. Se você bebia de vez em quando, vire alcoólatra.
Enfim, trata-se de substituir um vicio pelo outro; ou seja, ELE por qualquer outra coisa que te faça ainda pior. Tudo em nome do amor, claro.

Recorra ao mais clássico aliado do desamor. Embriague-se até não lembrar seu próprio nome, nem a causa pela qual você começou a beber.
Fique tristemente célebre fazendo lamentáveis escândalos sentimentais.
Por exemplo: De madrugada, vá frente à casa dele e cante um bolero ou alguma cafona canção de dor de cotovelo, aos berros, absolutamente ébria. Pode se fazer acompanhar por algum seresteiro ou por outro bêbado que você tenha conhecido essa noite no bar.
É um recurso que serve como anestesia local, absolutamente inútil, pois a lembrança do ingrato amor volta com a ressaca, acompanhada, além de tudo, de uma insuportável dor de cabeça.

Será também uma ótima oportunidade para você obter a sua primeira passagem pela policia.

Quinta-feira, Abril 12, 2007

Como sobreviver sem ele - Capitulo I (Luto II)

O LUTO IICurtindo a Depressão

Enterre-se na cama
Viva sua depressão, sem culpas e sem pressa. Faça de sua cama, onde um dia foi tão feliz com ele, o túmulo onde morrer de pena e sofrimento todos os dias. Fique aí semanas chorando, sepultada debaixo de um monte de cobertas e lembranças, ocultando-se de um mundo cruel e vazio, de uma vida sem ele que você neste momento não está disposta a enfrentar.
Não vá trabalhar; não fale com ninguém; não atenda ao telefone; não coma, não durma, não tome banho. Que nem seus credores, chefe, ou mãe te tirem do seu féretro. Não saia daí até se sentir o suficientemente patética ou imunda. Ao contrario do que tudo mundo diga, você está morta e enterrada... de amor!!!


Após alguns dias, seus vizinhos e familiares dando pela sua falta realmente podem chegar a acreditar que você realmente morreu devido ao cheiro de defunto que emanará do seu quarto. Por tanto, não se assombre se você de repente abrir a porta para ir ao banheiro e der de cara com a polícia e a imprensa.
Faça uma maratona de filmes românticos
Tranque-se sozinha na sua casa durante um final de semana, para uma deliciosa sessão de masoquista tortura cinéfila. Alugue pelo menos uma dúzia de filmes, dos mais românticos que você achar. É importante que todos os filmes possuam o melhor final feliz possível, assim, maior será sua infelicidade e você se sentirá muito mais sozinha e miserável.

Recomendadíssimas todas as comédias românticas com Sandra Bullock e Meg Ryan -principalmente "Harry e Sally, feitos um para o outro" -oh, que dor!- e, obviamente, "Quatro casamentos e um funeral" onde você se sentirá mais desgraçada que nunca vendo esse monte de elegantes e felizes casamentos se realizando, enquanto o seu acaba de se destruir ou não acontecerá jamais.

Abaixo a auto-estima!
Este é um processo natural que também você deve acelerar ao máximo, já que é inevitável se sentir o ser mais desprezível do mundo após o abandono. A auto-compaixão é muito importante nesta etapa. Sentir-se feia, gorda ou imbecil é uma característica por excelência do Luto. Assim que também este período você tem que realçá-lo e vivê-lo a pleno.
Que não passe pela sua mente se vestir com roupas novas! Lá no fundo do seu armário, procure um vestuário digno para acompanhar esta etapa. Pode ser o pijama mais horrível que achar, com listras verticais ou bolinhas, ou qualquer tipo de detalhes ridículos que a faça parecer uma baleia encalhada no sofá. Ou algum roupão velho e horroroso que pareça roubado da sua avó. A partir de agora será esse seu traje de viúva.
Se pentear, usar maquiagem, se depilar, enfim, cuidar da beleza, são funções terminantemente proibidas nesta fase.
Lembre-se que na depressão na que você está afundada não tem que haver lugar para resquício algum de amor próprio.

Culpe-se!
Culpar-se pelo abandono é outra recorrente característica da mulher que foi abandonada. Por isso você tem que se exercitar. Para obter melhores resultados, você deve proceder da seguinte forma: todos os dias de manhãzinha quando se levantar, antes de lavar o rosto, com o cabelo emaranhado e os olhos inchados, vá à frente do espelho e repita estas frases de auto-assumida culpabilidade:
Ele me deixou porque sou horrível!
Ele me deixou porque estou gorda, tenho estrías e celulite!
Ele me deixou porque sou burra e há milhares de mulheres mais inteligentes e interessantes do que eu!
Ele me deixou porque não sou compreensiva, porque nunca o escutei!
Ele me deixou porque eu não sou boa de cama, porque sou chata, porque estou velha, porque sou insuportável, porque meu nariz é torto e meus dentes são esquisitos, porque tenho mau hálito de manhã; porque como demais, porque ronco, porque falo muito, porque falo pouco, porque sim, porque não! Sei lá… Invente culpas. É mais fácil que se desculpar, não?
Repita cem vezes: TUDO é minha culpa!!
Inclusive, pode fazer um listado bem detalhado com todos os defeitos que você acha que tem, e todos os dias, repeti-los antes de se deitar. Para que não fique nenhuma dúvida de que, não só seu EX, senão NENHUM homem no mundo JAMAIS vai se apaixonar por você.

A Sã ANGUSTIA!
Viva a angustia do jeito mais doentio e nocivo possível para sua saúde, alterando totalmente sua fisiologia:
1- Coma tudo o que passar pela sua frente. TUDO. Poupe crianças e animais de grande porte.
Mais do que nunca, reforce os laços afetivos com sua geladeira. Nela você encontrará uma amiga fiel, leal e compreensiva que não vai julgar sua compulsão; só ela poderá te entender, acalmando sua ansiedade e outorgando-lhe consolo nesta etapa. Confesse a ela todos seus medos e frustrações entre bocado e bocado.
Se possível, mude-se à cozinha de uma boa vez!
Que seu sofrimento seja palpável e visível em quilos.


2- Desfrute da perda absoluta do apetite.
Você não vive encanada com esses quilinhos a mais, fazendo eternos e inúteis regimes que nunca dão certo? Então, eis a sua chance!!! Siga a eficaz dieta da tristeza e da angustia e vire um esqueleto ambulante.
Alimente-se só de lembranças e saudades até ficar com o maravilhoso aspecto doentio de quem acaba de sair de um campo de concentração. Pratique também a bulimia.
Dê a bem-vinda às novas rugas e estrias!

Segunda-feira, Abril 09, 2007

Como sobreviver sem ele - Capitulo I (Luto I)

O LUTO I


"A final ela desfrutava de seu sofrimento, pois cada segundo que sofria era uma molécula de amor ia morrendo."

Depois do fracasso de qualquer relacionamento amoroso, o Luto é o primeiro passo no processo de superação e esquecimento do homem pelo qual você ainda continua tão apaixonada.
É a fase de aflição e pesar pela morte de sua relação; inevitável e necessária. Quando você percebe que ele realmente se foi da sua vida, e que provavelmente não volte jamais.
É o período de se acostumar à ausência dele; de sentir saudades até a desesperação. Saudades do beijo, da pele, do cheiro. Aquele vazio na cama que a desperta no meio da noite. Aquela certeza de que sem ele não se pode continuar vivendo.
Trata-se simplesmente de solitário e insuportável sofrimento e de paralisante resignação. Estes sintomas vêm acompanhados de auto-culpabilidade e mortificação absolutamente masoquista. Além de auto-clausura e permanente baixo astral.


Se você se encontrar neste estado, a depressão é totalmente compreensível, devido à situação de abandono na qual você se encontra.
É sadio sentir dor, assim que não a reprima. Libere-a e deixe que invada cada um de seus poros, que se expanda por cada uma de suas artérias, e que flua livremente até seu magoado coração, embora pareça que ele fosse a estourar a cada vez que você respira.
Neste período se sentirá só e incompreendida. Não haverá amigo que possa tirá-la da fossa e entender o que está acontecendo com você. Será o choro o seu único alivio; vá preparando seus óculos escuros, pois você viverá com os olhos inchados e vermelhos, e o rosto desfigurado numa eterna expressão de tristeza.
Você acaba de virar uma viúva, vista-se á rigor e sofra!!


Via-crúcis da dor
Pra acelerar no máximo o processo de Luto, recomendo-lhe a Via-crúcis da Dor, que expõe alguns passos simples e muito efetivos com os quais você poderá tirar maiores vantagens a seu sofrimento e aguçá-lo, segundo a sua necessidade.
Você agora é uma trágica e sofredora Madalena. Represente então o seu papel com entusiasmo e perfeição.


"Altar das lembranças"
Afunde-se nas suas lembranças. O melhor meio de exprimir o coração para obter maior sofrimento é construindo um Altar de Lembranças, no qual você sacrificará todos os seus sonhos românticos e projetos de vida á dois.

É fácil e super-efetivo. Você só deve seguir as seguintes dicas:


Junte absolutamente tudo o que você tenha dele, todos os objetos carregados de significado sentimental: ursinhos, coelhinhos, porquinhos, dinossauros... Tudo quanto é bicho ou monstro de pelúcia que ele lhe obsequiou durante os primeiros meses do relacionamento; aqueles bilhetinhos e cartões onde expressava todo seu amor, dizendo que você era a mulher da sua vida, e todas aquelas coisas que erradamente a faziam acreditar na eternidade da relação; as cartas, os e-mails (imprima-os) que enviou quando mais dizia lhe adorar; o retrato mais lindo que sobrou dele; a cueca de oncinha com a qual você mais o desejou, etc.


Trilha sonora romântica. Escute a musica de quando ainda era um casal feliz. Melhor ainda se é aquela cafoníssima canção do Roberto Carlos, que ele dedicou pra você na noite que jurou amor eterno, e que costumava cantar com tanto sentimento, mas terrível afinação… E que mesmo assim, você adorava, porque o amor -ahhh, o amor!- concordemos, às vezes também é surdo.



Lembre dele, até o último fio cabelo, concentrando-se em tudo o melhor que ele tinha. De joelhos, adore-o até você chegar a irreal conclusão que era o homem absolutamente perfeito, único e insubstituível! Apesar de seus modos na mesa, mau humor insuportável, vício pela TV, constante desalinho, bebedeiras, grosseria, insensibilidade, indiferença, barrigão de cerveja, dentes tortos, orelhas enormes, cinco pernas e aquelas antenas!!!... Porque o amor -argh, o amor!- também é cego.


Use todos os sentidos!!! O do olfato é primordial, pois nada mais íntimo que o "perfume" dele. Vista suas roupas, aquelas que ainda estejam impregnadas com seu cheiro. O pijama de desenhinhos do Homem Aranha, a cueca de bolinhas vermelhas, aquelas imundas meias amarelas... Melhor ainda se for aquela fedida e horrorosa camiseta do seu time preferido, com a que jogava futebol e que ele se opunha veementemente em lavá-la. Cuidado, não vá desmaiar! Da emoção, é claro.


Alguns detalhes técnicos também são imprescindíveis, por exemplo, ter a mão duas dúzias de caixas de lencinhos de papel e o numero de telefone do pronto socorro mais próximo... Vai que o coração não agüenta!

Agora que você tem seu altar, venere-o!

Segunda-feira, Abril 02, 2007

Livro Grátis!!! COMO SOBREVIVER SEM ELE

É estranho ressuscitar esta página depois de tanto tempo de aparente morte criativa. Talvez seja uma tentativa de ressuscitar minha própia identidade, que ás vezes se perde neste mundo tão concreto. Bem, já que me encontro absolutamente anulada criativamente, vou recorrer ao único ás que tenho guardado na minha manga furada, meu livro de merda que não consigo publicar de jeito nenhum. E como a Internet está cheia de merda publicada, uma a mais não fará diferença nenhuma.

Este livro eu escrevi há alguns anos atrás, quando tive minha primeira (enorme!!!) decepção amorosa e vivi o pesadelo da dor-de-cotovelo. O tempo passou, a vida mudou, eu mudei e como diz o Chico "tantas águas rolaram, quantos homens me amaram, muito mais e melhor que você.." mas a piada ficou. Porque claro, este livro não é sério. É apenas uma grande piada autobiográfica sobre um coração partido e chifrudo. Uma despretensiosa parodia de manual de auto-ajuda. Aliás, falando do Chico, quem melhor que ele para abrir este enorme divague... Enjoy yourself amiguitos!


Como sobreviver sem ele - Introdução

























Atrás da porta - Chico Buarque
Quando olhaste bem nos olhos meus
E o teu olhar era de adeus
Juro que não acreditei, eu te estranhei
Me debrucei sobre teu corpo e duvidei
E me arrastei e te arranhei
E me agarrei nos teus cabelos
Nos teus pelos, teu pijama
Nos teus pés ao pé da cama
Sem carinho, sem coberta
No tapete atrás da porta
Reclamei baixinho
Dei pra maldizer o nosso lar
Pra sujar teu nome, te humilhar
E me vingar a qualquer preço
Te adorando pelo avesso
Pra mostrar que ainda sou tua
Só pra provar que inda sou tua...



O amor da sua vida a deixou. As causas não interessam. O único importante é que ele já não a ama. E que, para piorar ainda mais a situação, provavelmente ame outra pessoa. O mundo então se desmorona, a vida perde todo o valor e sentido, e nos convertemos em seres moribundos de amor, prisioneiros da própria paixão, desse sentimento que nos sufoca e possui. O que fazemos com todo esse amor que ficou encravado no peito como uma dolorosa espinha? O que fazemos com o desejo, a vontade de vê-lo, de tê-lo, a insuportável saudade? Como sobrevivemos a sua ausência?

Te adorando pelo avesso Dizem que fazemos loucuras por amor, mas... Ah, o que não se faz em nome do desamor!! Acaso existe dor tão enlouquecedora como a de um coração partido? Essa dor que devasta, amputa, mutila, como se uma parte nossa -a melhor- fosse arrancada. Pois é sobre esse insano sentimento que trata esta obra. Sobre como após o abandono, a paixão se transforma em desespero e o amor, desvirtuado, em algo irreconhecivelmente destrutivo - sobretudo auto-destrutivo. Sobre como o desprezo e a rejeição podem converter uma pessoa, outrora decente e íntegra, em uma criatura patética, inclusive malvada, sem um pingo de amor-próprio ou dignidade. Em fim, sobre a velha e conhecida “dor de cotovelo”.

Este absurdo manual não oferece soluções milagrosas, caminhos fáceis ou fórmulas mágicas para superar esse amor que agora lhe corroí por dentro. É apenas um amoral retrato sobre uma mulher abandonada; uma desavergonhada parodia autobiográfica. Logo de um extenso caminho de amores frustrados, acredito que não há receitas sobre a face da Terra que poupem a dor de um coração que se quebrou. Portanto, o único que tentarei brindar-lhe, cara leitora, é um compreensivo ombro amigo para rir, em vez de chorar. E os mais inúteis conselhos que você precisará para dar a “volta por baixo” de um pé na bunda.